sexta-feira, 17 de abril de 2009

Os caminhos para o mesmo fim

Maneiras de viver distintas
Nesse caos da existência
Ao que atribuo sentido ainda
Com limitados talento e vivência

Os traços fortes da morena
E a serenidade do seu sorriso
O que tento decifrar à pena
É a mistura de um querer prolixo

Por tantas vezes, com ou sem razão
Se pode querer em doses cavalares
Amar, sofrer e pedir perdão.
Aquecer o frio de palavras e olhares

O que chora, o que faz chorar ou sai ileso
São todos faces da mesma moeda
Desde os que pisam sem sentir o peso,
Os que,pisados, se mantém à sela
Até os que praticam o desapego

Somos todos limitados em nossa retórica
O homem apaixonado é uma anedota
Isso, de fato, é uma verdade histórica
Há muitas formas de ser idiota.

Leonardo Monteiro Ferreira

terça-feira, 14 de abril de 2009

Não posso mais pecar

Terno e apreciável
Sorriso inigualável
Inevitável não sorrir também
Retidão inabalável
Sensação de estar bem

Sorrio diferente
Como quem deve
Esconde, mente.
Minha presença breve
Apaga, acende,
Apaga, ascende.

Desculpas não adiantam
Deixam-me em pranto
Pouco esforço,
Devia mais
Tanto, tanto,
Santo canto.

Não peço mais
Não peco mais
O que quero faz
O que passou lá atrás
É quase nada
De minha parte, vacilada
Destoada, desenganada.

Da tua, não sei medir
Não sei dizer, mas sei fingir
Que entendo, que o que quer
È esperar eu lhe pedir
Aguardar eu me mover
Sem pestanejar, vou lhe dizer
Já não sei o que fazer

O teu sorriso persiste
O meu insiste em disfarçar
O querer e não estar lá
Já não posso mais pedir
Já não posso mais pecar

Mas, não entenda mal
Gostei, ainda gosto
Teu sorriso, teu beijo
Concluo. Não, aposto!
Não tem igual
Este é meu desejo,
Este teu ensejo.

Pedro Guimarães Pimentel

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Água, vinho e cerveja

Ao que julgo, pois não entendo
Quando sorri do que não vejo glória
Me pergunto o que está fazendo
Não enxergo sua vitória

Assim como me sinto frio
Não me comove quando lamenta
De sua vida de cão vadio
E da má sorte que sempre ostenta

Noite após noite vai aonde quer
E eu me esqueço de ser seu amigo
Não perde o sono por uma mulher
Por vezes o invejo, em outras duvido.

É o amigo que me afronta
Quando desdenha da minha verdade
Sempre o ataco com arrogância
E me responde com vaidade

Te guardo comigo, apesar de negar
Estamos juntos onde quer que seja
Já que água e vinho não se pode misturar
Brindemos à vida irmão, com cerveja!

Leonardo Monteiro Ferreira

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Cinzeiro

Para você, meu camarada
Uma paixão até se encolhe
Mas não pense que não sobra nada
Resta uma cinza, por onde quer que olhe

Enquanto queima, tudo se consome
Erra os passos, perde a hora
Se alguém lhe pergunta, sem demora
Troca até de sobrenome

Mesmo sem vibrar uma chama
Da brasa que um dia
Ardia por aquela dama
Persiste levemente
Uma cinza descontente

Ai de quem duvidar
Pois limpo nenhum coração
Da mais sutíl paixão
Jamais se econtrará

Acumulando paixões
Despejando desilusões
Este seu fiel companheiro
O mais antigo dos cinzeiros

Pedro Guimarães Pimentel

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ao amigo

Eu tenho um amigo que imagina como seria
se tudo diferente fosse
Ele não sabe, mas deveria,
que merece mais do que um sorriso doce.

Um amigo que vacila ao comparar
E, mesmo encantado, ainda teme
Quando se surpreende ao sonhar
E ver que de sua vida tem o leme.

Te desejo o maior dos amores
E é por ser como eu que clamo
Não caia em desengano
Não apague o perfume das flores

Esqueça o passado, não tens o direito
de negar ao mundo a sua verdade
Teu coração puro não cabe no peito
Nós não terminamos, tenha a bondade.
Quero ver-te forte, livre, refeito.

Enxugue esse rosto que já passa da hora
E essas lembranças que fiquem guardadas
Já disse mil vezes, sem você não vou embora
Enxergue além dessa chuva de mágoas.

Leonardo Monteiro