quinta-feira, 4 de junho de 2009

Verbo Sentir

Só digo que há
Que não se esconde
Só digo que sinto

Só digo que há
Mas não me pergunte o nome
Só digo que vejo

Só digo que há
Mas não sei onde
Só digo que ouço

Mas não sei quando
Nem digo que penso

Não sei porquê
Nem digo que temo

Só dizes que há
Mas não sabe pra que
Só dizes que sente

Só digo que há
E que não tem pra que
Só digo que vivo
Só dizes que vives

Pedro Guimarães Pimentel

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Revolução

Quando o meu peito se escondia
De uma dor, de uma paixão
A cada passo, a cada dia
É que se fazia
A anarquia no meu coração

Pobre de mim, eu nem sabia
Que fantasia, é viver num mundo cão
Hoje ando à revelia
Da tirania
Que decretou a solidão

Esse estranho sentimento
Que rebelou meu coração
É um doce acalento
De liberdade
Que diz mais sim do que não

Revoltado pensamento
Hoje não vive de ilusão
Gasto todo orçamento
Da felicidade
E vivo intenso essa emoção

Pedro Guimarães Pimentel

domingo, 24 de maio de 2009

Novidade

Agora posso dizer que te gosto
Sem medo de que correrá
Pode dizer que não quer
Sem que me afunde em lágrima

O nosso caso começa hoje, aposto
Antes que a Lua esvazie, entenderá
Que o bem que a companhia nos fizer
Levará o vento toda lástima

Verás o sorriso em meu rosto
Cada Sol de teus olhos brilhará
E, bem intenso, cada momento que vier
Trará consigo uma nova rima (máxima)

Agora posso dizer que te gosto
O nosso caso começa hoje, aposto
Verás o sorriso em meu rosto

Sem medo de que correrá
Antes que a Lua esvazie, entenderá
Cada Sol de teus olhos, brilhará

Pode dizer que não quer
Que o bem que a companhia nos fizer
E, bem intenso, cada momento que vier

Sem que me afunde em lágrima
Levará o vento toda lástima
Trará consigo uma nova rima (máxima)

Pedro Guimarães Pimentel

sábado, 23 de maio de 2009

Fim

Te avisto ao longe, vens em minha direção. Aproxima-se lentamente com os mesmos olhos, mas agora seu olhar é outro, é frio, seu calor por mim já merece lápide. Chega até mim e tremo, fico inerte, não existem mais palavras de afago, apenas despejas o seu desapego e eu, pasmado, aceito por omissão todos os seus grunhidos e rancores verbalizados.
Descrente, percebo que tens extensas lembranças de nosso enlace, no entanto nossos momentos de glória se perderam no fio do tempo e da morte do que um dia se pretendeu chamar de amor. Lembras de todos os meus tropeços e das palavras malditas, de minhas mesmicies e manias, de todas as formas que encontrei de ser jovem e relapso. Já não te recordas de tudo o que dei a ti e que ofereci a nós Desatando os nós das diferenças eu te quis á minha presença e me pus a tua disposição. Me cobras por todos os nãos, dos sins não fazes questão.
Segue-se a resenha. Já nem escuto mais o que falas, me atenho a procurar em ti o que antes via claramente e que, agora, me escapa a qualquer indício de existência. Suas últimas palavras são prolixas, creio que fora a parte que ensaiaste menos. Balbucias um adeus desconexo, me oferece a visão de suas costas e se afasta velozmente, como um cão com medo do dono malvado. Sua imagem vai me escapando, fica cada vez mais longe assim como meu apego por ti. Vou te fitando com os olhos até que, pelo espaço de um instante, me distraio com o frescor do vento e o canto solene de um pássaro que assistiu toda a trama. Volto meus olhos para a calçada mas já não te avisto. Viraste a esquina, sumiste da minha vista, da minha vida enfim...Fim.

Leonardo Monteiro Ferreira

sábado, 16 de maio de 2009

Texto solto

Esperando que valha á pena ser quem somos, esquecemos que nem mesmo somos quem pensamos. E se queremos ser melhores do que nos vemos, então nem mesmo a melhora é garantida. Posto que tudo é convenção, nada é fácil e nem certo. Muito menos se pode estar sempre alerta. A meta muda de acordo com o humor, e o valor das etapas pode ser elevado á décima potência hoje e zerar amanhã. E, antes que eu me esqueça, não pensemos nós que tudo faz sentido no futuro ou dia a dia. Com grande melancolia percebi que talvez tudo seja em vão, talvez não mas, por via das dúvidas, procure outras coisas que te façam passar alguns instantes menos medíocres.
Somos tantos e tão iguais nesse mundo absurdo. A vida poderia ser um cinema mudo, as palavras sempre se repetem. Bastaria ver as imagens para entender a realidade cíclica das coisas. Não sei se a ideia era essa desde sempre, mas parece cada vez mais que a tendência é que nos tornemos repetições em série de uma mesma massa inerte e insólita. E eu, arrogante e inocente, me sentia diferente de tudo e todos. Um ser anacronico ou surreal, dotado de uma capacidade, até desleal, de me ver alheio ás relações humanas patéticas de sempre. Mas deveras sou como todos os outros e, agora, recolho-me a minha insignificância e me junto ao coro. Já não canto em outro tom, não crio minhas próprias canções e, quem diria, até acho certa graça de minhas próprias e coletivas perversões diárias.

Leonardo Monteiro Ferreira