quarta-feira, 13 de maio de 2009

Mundo Mal-amado

Em troca da possibilidade de conhecer um outro, esperamos que o "estar por vir" se encaixe num modelo pré-conceituosamente fabricado que deve inflar-se de príncipios e valores, nem sempre correspondidos. O ser alheio-humano é deixado de lado em prol das desmedidas instituições flutuantes.

Privilegia-se o contato com instituições que supostamente pairam sobre nossas cabeças em detrimento da relação direta com o ser semelhante humano. Quando, em verdade, sabemos que nada paira sobre nós. Não há nada silenciado nas coisas, não há mão oculta. Quando não há Providência, Previdência, evidências.

A hipocrisia do cotidiano se desfaz no culto a violência. Convive-se impacientemente "desapercebido" o "laissez-faire" da agressõa alheia, calcado na justiça divina, no reino prometido, na vitimização do eu. Convive-se tranquilamente com o paradoxo da pregação de um mundo mais justo e o discernimento entre os escolhidos e os indesejáveis.

A destreza do "deixar-passar" se equivoca quando a possível próxima vítima se aproxima o suficiente até atingir o eu. Assim se promulga a agressão defensiva. Assim se prolonga a covardia da força. A coerção pelo medo físico. Assim fascinam as transfigurações virtuais da realidade. Assim se alimenta de violência a realidade destroçada.

Pedro Guimarães Pimentel

sábado, 9 de maio de 2009

Melhor Assim

Ainda que encontrasse
Desenhado em outra face
Prezas pela distância

Pena que a vida é curta
Lá, ninguém te furta
Lá ninguém te alcança

Eu mudo o meu jeito
Perco todo o conceito
Não quero mais ser igual

Mesmo que sinta minha partida
Farei de toda a minha vida
Enfim, um grande Carnaval

Pedro Guimarães Pimentel

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sem mais

Escrever poesia quando se está feliz é um esforço inútil pra mim. Gostaria até, por vezes, de ver beleza em rimas leves, singelas e pálidas, mas são tão piegas que chegam a me ofender. Será que nasci pra admirar a dureza, a melancolia e a inteligência?
Que meus pares me perdoem mas versos serenos são massantes. Não me entendam mal, não gosto de sofrer e nem de ver o martírio dos outros. Só não espero que suspirem os apaixonados á minha pena e muito menos me acrescentam os elogios superficiais. De mais a mais, sou um poeta limitado, meus talento e esforço não equivalem a grande monta e, antes que alguém se dê conta, digo logo que minha poesia é previsível. Quem me lê sabe o que sinto, ou pelo menos o que a minha capacidade mediana de escrever e a sua, talvez maior, de ler façam por onde desvendar os meus caminhos.
Peço perdão aos que agrido com minha arte, também aos que decepciono por não ser tão bom quanto esperavam e, aos idiotas de toda parte, deixo um conselho:
Leiam os meus precários versos sem tanta exigência. Não se sintam atacados pois não é de vocês que falo e, se quiserem, se identifiquem com eles. Afinal, é para isso que serve um texto...para lermos até encontrarmos uma interpretação dele que nos sirva de álibi, punição ou redenção.
Sem mais.

Leonardo Monteiro Ferreira

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sonho dos deuses

A minha alma se esconde
Desse mundo de possibilidades
Que desafiam as minhas verdades
E supõe um novo horizonte

As facetas estampadas no querer
O transtorno que sempre me afronta
É um temor que chega a doer
Do que nunca levei em conta

Vejo a vida e seu sorriso amarelo
É cinza, torpe, dura...
E, do alto do meu castelo
Me foge a mortalidade impura

Sinto falta do que não tenho
Do que critico, desdenho
Da realidade pifia dos mortais
Que tem sonhos que parecem tão reais

Em meus devaneios piso o chão
Estou sujo, cansado e feliz
Não sou mais aquele que diz
Que duvida, que parte do não

Leonardo Monteiro Ferreira

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Cântico dos Sentimentos Modernos

Cantem corações sofridos
Os realismos da dor
Pessimismos se tornam
Negações do otimismo do amor

Cantem corações fingidos
Os pessimismos do amor
Otimismos entornam
Pregações do realismo da dor

Cantem corações fechados
Os pessimismos da dor
Realismos contornam
Distorções do otimismo do amor

Desencantem corações abertos
Dos otimismos do amor
Pessimismos controlam
Atuações do realismo da dor

Cantem corações espertos
Os otimismos do amor
Realismos destronam
Reinações do pessimismo da dor

Pedro Guimarães Pimentel