quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sem mais

Escrever poesia quando se está feliz é um esforço inútil pra mim. Gostaria até, por vezes, de ver beleza em rimas leves, singelas e pálidas, mas são tão piegas que chegam a me ofender. Será que nasci pra admirar a dureza, a melancolia e a inteligência?
Que meus pares me perdoem mas versos serenos são massantes. Não me entendam mal, não gosto de sofrer e nem de ver o martírio dos outros. Só não espero que suspirem os apaixonados á minha pena e muito menos me acrescentam os elogios superficiais. De mais a mais, sou um poeta limitado, meus talento e esforço não equivalem a grande monta e, antes que alguém se dê conta, digo logo que minha poesia é previsível. Quem me lê sabe o que sinto, ou pelo menos o que a minha capacidade mediana de escrever e a sua, talvez maior, de ler façam por onde desvendar os meus caminhos.
Peço perdão aos que agrido com minha arte, também aos que decepciono por não ser tão bom quanto esperavam e, aos idiotas de toda parte, deixo um conselho:
Leiam os meus precários versos sem tanta exigência. Não se sintam atacados pois não é de vocês que falo e, se quiserem, se identifiquem com eles. Afinal, é para isso que serve um texto...para lermos até encontrarmos uma interpretação dele que nos sirva de álibi, punição ou redenção.
Sem mais.

Leonardo Monteiro Ferreira

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sonho dos deuses

A minha alma se esconde
Desse mundo de possibilidades
Que desafiam as minhas verdades
E supõe um novo horizonte

As facetas estampadas no querer
O transtorno que sempre me afronta
É um temor que chega a doer
Do que nunca levei em conta

Vejo a vida e seu sorriso amarelo
É cinza, torpe, dura...
E, do alto do meu castelo
Me foge a mortalidade impura

Sinto falta do que não tenho
Do que critico, desdenho
Da realidade pifia dos mortais
Que tem sonhos que parecem tão reais

Em meus devaneios piso o chão
Estou sujo, cansado e feliz
Não sou mais aquele que diz
Que duvida, que parte do não

Leonardo Monteiro Ferreira

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Cântico dos Sentimentos Modernos

Cantem corações sofridos
Os realismos da dor
Pessimismos se tornam
Negações do otimismo do amor

Cantem corações fingidos
Os pessimismos do amor
Otimismos entornam
Pregações do realismo da dor

Cantem corações fechados
Os pessimismos da dor
Realismos contornam
Distorções do otimismo do amor

Desencantem corações abertos
Dos otimismos do amor
Pessimismos controlam
Atuações do realismo da dor

Cantem corações espertos
Os otimismos do amor
Realismos destronam
Reinações do pessimismo da dor

Pedro Guimarães Pimentel

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ponto sem nó

A culpa é minha quando planejo
Pois o timão escapa ao meu manejo
Me perco em meus planos
Revelo todos os meus segredos
Então fujo para o meu degredo
Pelos crimes profanos

Desta vez eu minto
Não pelo que sinto
Mas abandono o navio num banco de areia
Este ponto irá sem nó
Navegará só
Arrumo outro barco, sigo o canto da sereia

Quem vive de piratear
Quase nunca encontra o que pilhar
Mas, afinal, aceito meu destino
Minha nau esta vaga para a tripulação
E esta metáfora que canta meu coração
Se esbraveja num melancólico hino

Ô marinheiro, marinheiro!
... marinheiro só.

Pedro Guimarães Pimentel

Epitáfios

Hoje tecerei uma prece
Àqueles que quiseram tanto
E com tamanha força a quem não merece.
Triste face do desencanto.

Uma ode aos idiotas de toda parte
De gêneros e razões diversas
Que, incrivelmente, se consideram mártires
Distintos desbravadores, reis ou mascates
Poetas!

Cantemos a todos nós,
Perdidos nesse emaranhado de cores
Vendo mais cinza os amores
Errando os passos ao tentar ver beleza
Negando a vida, com pouca delicadeza

Não perderão a pose nem por um instante
Chorarão escondidos, sozinhos
Assim como o navegador errante
Sonhando com o retorno de seus caminhos

Todos se foram, sumiram
Vazios de significado partiram...

Os epitáfios ensanguentados
Datados a revelia destes pobres diabos
Aqueles que em vida foram anjos tortos
Guiados por amores igualmente mortos


Leonardo Monteiro Ferreira